A incerteza de quando poderão morar na nova casa, preocupações com casamentos marcados, ano letivo dos filhos, explicações a parentes e amigos sobre a demora, enfim, uma avalanche de questões que põe à prova o equilíbrio emocional dos envolvidos e, embora não tenha um valor de mercado, certamente causa enormes prejuízos, denominados danos morais e que certamente também precisam ser reparados.

Existem empresas que propõem uma indenização aos compradores em casos de atrasos, mas o valor oferecido é sempre muito baixo e não compensa os prejuízos causados. As construtoras que se adiantam às ações judiciais e procuram os compradores para um “acordo” querem, na verdade, minimizar as indenizações e fazem uma conta que só interessa a elas. Em regra, a proposta gira em torno de 0,5% sobre o valor pago pelo imóvel, quando através da ação se pede 0,5% ao mês durante todo o periodo do atraso.

Nos imóveis negociados na planta, o comprador paga, em média, cerca de 20% a 30% do valor do imóvel durante a construção e é sobre esse pequeno percentual que as empresas tentam fixar as indenizações. Pior do que isso é que o saldo devedor, 70% ou 80% do valor total do imóvel, continua sendo corrigido pelo INCC, em média 0,7% ao mês. Ou seja, a suposta indenização proposta não cobre, sequer, a correção do preço do imóvel que continua incidindo até que o cliente consiga o financiamento imobiliário.